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CANETADAS ENTRE CONHAQUES... Entre e beba A Vontade


 

Mínimo

 

Olhos no horizonte

Caótico e desordenado

Calça com barra rasgada

Pasta na mão amassada

Assim ele caminhava

 

O salário está baixo

E o nome no Serasa

Com um nó na garganta

Desce outra marvada

Esquece até da namorada

 

Parado em pé na fila

Fila que nunca acabava

Lembrou daquele boleto

Já há um mês atrasado

Da sua mãe internada

 

Olhos no chão

Lágrimas a escorrer

Não apenas pela morta

Mas pelo ano a pagar

Pela mãe que ali velava



Escrito por Poeta às 12h59
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Velho texto, mas com alma da Nova fase



Avalanche

 

Brinque com a leveza do futuro, e assim esqueça de sentir tudo em sua plenitude a cada toque da ponta dos dedos... Continue assim... Pondo óculos na míope confiança no futuro (principalmente quando não viver alegria no presente).

 

Faça isso, esqueça os espantosos enlaces que o futuro sempre nos reserva. Placebo. Tente fugir da tão mais possível realidade que é não ser bom o amanhã.

 

Eis que o mal estar assaltará seu cérebro e numa faísca explodirá o corpo em demência, e voltará a pensar nos profundos desejos, enchendo seu ser oco de magia. Afinal, com o sangue correndo mais forte nas artérias, estimulado pelos pensamentos mais dissimulados, se explode a angústia como se pudesse um dia vir a brotar de novo no tal do futuro em outro espaço, não é?

 

E então no novo presente, que será igual a parte do futuro ora deletada, serão sentidas agulhadas por aquilo que, por um tosco medo, se evitou de se defender. Aí mais uma vez fraquejando, voltará a criar formas de se deleitar com a existência novamente, esquecendo que este é o começo da escavação de cruéis labirintos obscuros onde serão criadas as feras ocultadas que um dia (fingindo que ninguém sabe) certamente atacarão.

 

Viva assim, sempre, à penumbra da realidade, como drogados que alimentam o vício de sua mente com positivismo estúpido, entre orgasmos de berros sufocados por silêncios contagiantes.

 

Por trás dos sarcásticos contos de fadas infindos vive escondendo um mundo negro, que por temê-lo, evita nele pensar. E quando lembra, de tempos em tempos, em meio a risos nervosos, faz uma breve transgressão aflita ao passado-futuro, e se recorda das tantas vezes que o evitou, com receio de sempre nunca poder mudá-los...

 

Até que um dia será tarde.



Escrito por Poeta às 23h20
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Desabafo-Justificativa Psico-Literária

(Vulgo Logorréia Desesperadora)



Perdi a noção

Vou escrever

Escrever

Chega da verdade hipócrita, bizarra, que me ensinaram a ver

Já não posso mais engolir...

Vou escrever sim

E sobre o que sei fazer de melhor:

 

Vou escrever o cheiro

A dor

Paranóia

Escreverei a loucura do louvor

A história

Dessa gente que digitalizou o Amor

 

Esqueceram. Tudo

Num canto vazio de um quarto

No valor imbecil duma lembrança

Nas muitas regras impostas às crianças

A verdade não é feita de fatos, a angústia sim

Fatos hipócritas, regras chinfrins

 

E que não seja conversa de botequim!

Que eu veja por detrás dos balcões

No fundo dos copos de Maria Mole

E dentro dos caça níqueis

E na frente do nosso nariz

Defeituoso

Que mal sente o cheiro do próprio corpo

Mas bem conhece o cheiro do fim de feira

Ou do metro lotado


Basta de cego acomodado

Vou deixar de ser um doente

Doente nos meus padrões

Adotando o mundo já feito

Em troca das próprias convicções.



Escrito por Poeta às 23h06
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Ainda brindando a “nova fase” (tomara definitiva) do Canetadas (ou Conhacadas, como quiserem...), posto nesta madrugada de Verão um dos meus prediletos...



Soneto de Inverno

Minha alma sozinha teima em nada ver
Toda alegria perdeu-se em algum canto
Sentimentos vazios e poesia no acalanto
Fazem da minha inércia o meu sofrer

Se me amam já nem consigo perceber
Nesse frio me escondo sob um manto
E sem Amor eu perco todo meu encanto
Nessa inércia já esqueci o que é viver

Eu leio suntuosos versos e eles minguam
Se eu toco em flores exóticas elas secam
E hoje apenas as cores frias me esperam

Mas sei porque meus tristes olhos choram
Não escuto as vozes do coração que clamam
Bem aventurados os que Amor não negam



Escrito por Poeta às 01h02
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Se Morresse (em construção)



E se amanhã eu morresse?

Será que iam ler este texto

Uma única vez por mero interesse

Ou repetidamente para entender o contexto...?

 

E se hoje eu morresse?

Será que me arrependeria

Por ter escrito o que quisesse

Sem ter de fato vivido o que queria...?

 

E se ontem eu morresse?

Estaria tudo assim tão claro

Que de repente sem que percebesse

Descreveria minha vida sem nenhum reparo...?

 

(sugestões são bem vindas)



Escrito por Poeta às 00h36
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Mais uma vez achei que ia perder o Blog, desta vez por problemas técnicos com a UOL. Mas já que aqui está ele, vai um texto publicado no "antigo" Canetadas, só para comemorar...



Vício

 

Minha alma diz em berro

Que sou altruísta demais

Que sonhar só reduz a paz

E tolo perco o que mais quero

 

Eu sei que assim eu cresci

Dando a todos e nunca a mim

Minha luz que não tem fim

E sempre à sombra eu vivi

 

É que sentia que não houvesse

Um amor que enlouquecesse

Era mais útil que morresse

 

Implorei a morte e voltei à luz

E vejo hoje que me conduz

O que diziam ser minha cruz


Escrito por Poeta às 16h59
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