Velho texto, mas com alma da Nova fase

Avalanche
Brinque com a leveza do futuro, e assim esqueça de sentir tudo em sua plenitude a cada toque da ponta dos dedos... Continue assim... Pondo óculos na míope confiança no futuro (principalmente quando não viver alegria no presente).
Faça isso, esqueça os espantosos enlaces que o futuro sempre nos reserva. Placebo. Tente fugir da tão mais possível realidade que é não ser bom o amanhã.
Eis que o mal estar assaltará seu cérebro e numa faísca explodirá o corpo em demência, e voltará a pensar nos profundos desejos, enchendo seu ser oco de magia. Afinal, com o sangue correndo mais forte nas artérias, estimulado pelos pensamentos mais dissimulados, se explode a angústia como se pudesse um dia vir a brotar de novo no tal do futuro em outro espaço, não é?
E então no novo presente, que será igual a parte do futuro ora deletada, serão sentidas agulhadas por aquilo que, por um tosco medo, se evitou de se defender. Aí mais uma vez fraquejando, voltará a criar formas de se deleitar com a existência novamente, esquecendo que este é o começo da escavação de cruéis labirintos obscuros onde serão criadas as feras ocultadas que um dia (fingindo que ninguém sabe) certamente atacarão.
Viva assim, sempre, à penumbra da realidade, como drogados que alimentam o vício de sua mente com positivismo estúpido, entre orgasmos de berros sufocados por silêncios contagiantes.
Por trás dos sarcásticos contos de fadas infindos vive escondendo um mundo negro, que por temê-lo, evita nele pensar. E quando lembra, de tempos em tempos, em meio a risos nervosos, faz uma breve transgressão aflita ao passado-futuro, e se recorda das tantas vezes que o evitou, com receio de sempre nunca poder mudá-los...
Até que um dia será tarde.
Escrito por Poeta às 23h20
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