Paladar I

Nu e desolado
Vejo o que coberto não via
Minhas formas, disformes
Meus pêlos, indesejados
Presto atenção no meu corpo
Silentes sirenes, roncos e rosnados
Me esvaem qual fumaça do cigarro
Logo coçadas mil me irritam
Ponho a me rosnar num instante
Eis que me vem o cheiro
Lépido e azedo, ligeiro, rastejante
Empolgador e humilhante
Me entope
Abaixo e olho em volta
Um licor de pêssego
Visão de tarde belga
E cheiro de boa trepada
Enfio o dedo
Macio qual primavera
Primeiro toque
Me pegou em xeque
Deleitado, lambo...
Escrito por Poeta às 02h56
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